Metade dos catarinenses é contra reeleição de Bolsonaro

Foi em Santa Catarina que o presidente Jair Bolsonaro obteve sua maior votação no primeiro turno de 2018, com 65,82% dos votos. Passado um ano de sua gestão, uma pesquisa do Grupo ND (afiliado à Record) mostra que 49,73% dos entrevistados são contrários à reeleição do atual mandatário.  Os números indicam que o primeiro ano do […]

9 jan 2020, 17:36
Metade dos catarinenses é contra reeleição de Bolsonaro

Foi em Santa Catarina que o presidente Jair Bolsonaro obteve sua maior votação no primeiro turno de 2018, com 65,82% dos votos. Passado um ano de sua gestão, uma pesquisa do Grupo ND (afiliado à Record) mostra que 49,73% dos entrevistados são contrários à reeleição do atual mandatário. 

Os números indicam que o primeiro ano do governo Bolsonaro tem sido o melhor remédio para mostrar a incompetência e desvario do capitão reformado. Mais de 70% dos entrevistados não sabiam apontar qual o maior acerto do governo (54,44%) ou afirmaram que Bolsonaro não acertou em em 2019 (16,18%). Por outro lado, 23,09% afirmam que o maior erro do presidente é sua “postura inadequada” (13,09%) e “tudo” (10%). Outros 48,17% não souberam responder.

Os entrevistados também foram questionados sobre que nota dariam ao desempenho do presidente. Bolsonaro obteve um fraco 5,07 na média estadual. Mas é na Grande Florianópolis seu pior desempenho: 4,10. Não por acaso, também foi na capital catarinense que Bolsonaro teve menos votos no segundo turno em 2018.

O baixo desempenho do presidente chama ainda mais a atenção pelo fato de quem publicou a pesquisa. Nos últimos tempos, o Grupo ND, antigo Grupo RIC, se tornou um verdadeiro panfleto pró-Bolsonaro, abandonando o jornalismo e fazendo propaganda pura e simples. De fato, devem responder a algum comando central da cabeça de rede, a isenta Record (isenta de críticas ao governo). Se o principal conglomerado de mídia pró-Bolsonaro diz que ele vai mal, é porque de fato a extrema-direita vem perdendo espaço no Estado, apesar de manter-se como uma força poderosa.

Os números sobre o governador Carlos Moisés, eleito na onda Bolsonaro e hoje divorciado deste grupo, são ligeiramente melhores: ganhou nota 5,88. Mas é de se notar que 54% dos entrevistados não saibam sequer apontar o nome do governador. Indício de que Moisés estava apenas no lugar certo, na hora certa, mas permanece um ilustre desconhecido.

A perda de apoio e a avaliação majoritariamente negativa de Bolsonaro e Moisés abrem caminho para alternativas em 2020. Num estado como Santa Catarina, a união dos setores progressistas e democráticos se faz cada vez mais necessária para enfrentar a extrema-direita e garantir vitórias concretas para o povo. É em Florianópolis que esta frente está mais avançada, e poderá retomar o governo da capital para um projeto democrático e popular.