O novo plano de marketing de Gean: a vítima

É inegável que o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, conseguiu surfar na crise do coronavírus como nenhum outro político catarinense. Muito bem orientado pelos marqueteiros de sua reeleição, Gean atuou para criar uma imagem diferenciada e forte durante a pandemia. A tendência genocida do presidente e a incompetência do governador deram uma grande ajuda nessa […]

30 jun 2020, 08:14
O novo plano de marketing de Gean: a vítima

É inegável que o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, conseguiu surfar na crise do coronavírus como nenhum outro político catarinense. Muito bem orientado pelos marqueteiros de sua reeleição, Gean atuou para criar uma imagem diferenciada e forte durante a pandemia. A tendência genocida do presidente e a incompetência do governador deram uma grande ajuda nessa missão.

Ao comprar milhares de testes, Gean buscou passar a imagem de “Prefeito que age” durante a crise. Quando Moisés sucumbiu ao poder econômico e mandou reabrir tudo, Gean trabalhou o mito de “homem que peitou o governador”, mesmo que adotasse as mesmas medidas dias depois.

Afoito pelos holofotes, Gean se vangloriou de exibições na imprensa nacional como “modelo no combate ao vírus”. Toda a atenção midiática para o “sucesso” de Florianópolis causou o efeito contrário: estimulou no imaginário que a situação estava sobre controle, contribuindo para o relaxamento total, os bares lotados e a quebra do isolamento.

Agora, com o colapso iminente do sistema de saúde, Gean busca a marca de “vítima”. A culpa é transferida das mãos do Prefeito, que tem a caneta na mão, para comerciantes que podem quebrar, para as pessoas “que não respeitam” as medidas de isolamento e até mesmo para a pressão sofrida de grandes empresários. entidades empresariais. Onde está o Prefeito que “peitou o governador”? Não tem a mesma coragem para peitar as entidades empresariais?

As eleições estão aí e Gean precisou escolher. Ou cultivava a imagem de gestor da crise e perdia o apoio dos grandes empresários, que sempre o apoiaram; ou mantinha perto o poder econômico, sob o risco de arranhar a sua imagem. Fazer as duas coisas ao mesmo tempo já não era mais possível. A solução? Trabalhar a imagem de vítima, de que fez “o que era possível”.

Todos já esquecemos das privatizações na saúde e educação? Do escândalo das Organizações Sociais? Da transferência de áreas públicas para entidades comandadas por aliados políticos? Do calote do estacionamento rotativo? Da pior capital em transparência no país? Das investigações de corrupção durante a privatização dos almoxarifados?

O fato é que a crise do coronavírus escondeu por bastante tempo quem é Gean Loureiro: um prefeito com uma gestão errática, onde as ações não são determinadas pelo planejamento urbano, mas pelo planejamento de marketing.

Florianópolis merece muito, muito mais.